Por Horacio Zabala | 2026
A campanha “contra a guerra” vende muito mais, cria mais batalhas e gera lucros futuros.
Combater o fogo com gasolina: quando estar contra é ser a favor.
As palavras e as construções que usamos para nomear o que desejamos, e o que não desejamos, revelam o que guardamos no nosso íntimo. E muitas vezes criam exatamente o oposto do que pretendemos.
Campanhas 'contra' a violência orientam toda sua força para a violência. Sistemas de 'combate' às drogas orientam toda sua força para o combate.
Dar batalha a qualquer situação da vida cria automaticamente um inimigo à nossa frente. A solução não está em escolher palavras mais bonitas: está em aprender a escutar o que a palavra revela por trás do que parece estar sendo dito. Enquanto não transformamos nossa escuta e não tomamos consciência das mudanças necessárias na forma de pensar, sentir e agir, os resultados continuarão se manifestando caóticos e distantes do que imaginamos estar dizendo.
Existe uma diferença radical entre duas frases que, na superfície, parecem defender a mesma causa:
"Estamos dando batalha contra a violência doméstica."
"Agimos a favor do Amor nos ambientes familiares."
A primeira orienta toda a sua força, atenção e energia para a violência. A segunda orienta tudo isso para o amor. As duas falam de família. Mas só uma delas constrói alguma coisa.
Campanhas “contra” algo não eliminam esse algo. Geram enfrentamento, criam campos opostos, alimentam batalhas. O ser humano não processa a negação antes de processar o conteúdo. Quando você diz "não pense em um elefante rosa", o elefante já está lá.
Observe a estrutura de qualquer grande campanha social dos últimos cinquenta anos:
"Luta contra a violência."
"Combate às drogas."
"Guerra à pobreza."
"Enfrentamento ao racismo."
Cada uma dessas frases contém uma força orientada exatamente para o que pretende eliminar. O objeto de atenção cresce sempre, independentemente do sinal que o precede.
Madre Teresa de Calcutá, quando convidada para participar de uma manifestação contra a guerra, respondeu com uma frase que resume tudo isso em uma linha: "Nunca irei a uma manifestação contra a guerra. Se fizerem uma pela paz, chamem-me."
Ela estava sendo precisa. Compare:
“Todos contra a guerra” são forças orientadas à guerra. O que você detecta na sua realidade ao usar essa frase são guerras, e guerras sempre envolvem perdas e baixas.
“O caminho a favor da paz” é força orientada à paz. O que você detecta na sua realidade ao usar essa frase são caminhos de paz.
O Hermético tem um princípio para isso: como é dentro é fora.
O que está no interior da frase configura o exterior da realidade. A Tábua Esmeralda não diz "evite o baixo para alcançar o alto." Ela diz: o que está abaixo corresponde ao que está acima. Correspondência. Reflexo. O externo sempre revela o interno.
Se sua fala está cheia de combates, enfrentamentos, lutas e guerras, sua realidade está cheia das mesmas coisas. Não porque você seja violento. Porque a palavra revela o que está guardado no seu íntimo, e o externo não faz mais do que refletir o que o interno ainda não iluminou.
Antes de falar sobre como a palavra opera no mundo, é preciso falar sobre onde ela começa.
A tradição kabbalística tem um conceito central chamado Kavana: a intenção dirigida que precede qualquer ato. Nenhuma prática tem valor sem Kavana. O gesto externo sem a palavra interna que o orienta é casca sem núcleo. A palavra pública é sempre o reflexo da palavra que você usa consigo mesmo, e a palavra que você usa consigo mesmo revela o que você é antes de qualquer transformação ser possível.
A ordem que você dá a si mesmo, através da palavra interior, gera uma estrutura de pensamento. Essa estrutura gera uma estrutura de sentimentos. Essa estrutura gera ações. E as ações geram o mundo em que você vive.
Isso é verificável agora, na sua própria experiência, se você tiver a capacidade de observar.
A Kabbalah ensina que a palavra não é apenas comunicação: é ato criador. As 22 letras hebraicas são forças que configuram realidade. “Com dez enunciados foi criado o mundo”, diz o Talmude. Não com dez pensamentos e nem com dez palavras proferidas de qualquer forma. A criação, que a maioria enxerga como um evento passado, é na verdade um processo contínuo que acontece cada dia, e cada vez que uma palavra é pronunciada com intenção essa criação se amplia.
A Alquimia, por sua parte, via no laboratório um espelho do ser interior. O que o alquimista nomeava como intenção determinava a direção do processo. O Solve et Coagula significa dissolver o que não serve e consolidar o que é essencial. Mas a dissolução e a consolidação começam no verbo e no que se diz em voz alta. E antes disso, no que se diz em silêncio.
“Problemas de saúde”, escutamos o tempo todo.
Essa expressão, usada milhões de vezes por dia em noticiários, consultas médicas e conversas de corredor, contém um erro estrutural que custa caro.
Saúde não é um problema. Saúde é o estado natural do organismo vivo. O que interrompe esse estado, isso é o que precisa de atenção. Quando dizemos “problemas de saúde”, estamos tratando o estado saudável como exceção a ser perseguida, e a doença como norma da qual se parte. Já a nível pessoal, a mente associa e junta automaticamente as duas palavras saúde-problema e sempre que se pensa em saúde, um problema precisa se surgir para dar estrutura a essa imagem.
Por isso, é evidente que a consequência não é apenas semântica e sim operacional. Sistemas construídos em torno de problemas de saúde” investem reativamente: esperam a interrupção da saúde para agir. Sistemas construídos em torno da saúde como estado natural a ser mantido investem preventivamente: cultivam as condições para que a saúde não seja interrompida.
A diferença entre os dois modelos é a diferença entre sistemas eficientes e sistemas colapsados.
O mesmo vale para segurança. “Problemas de segurança” implica que a insegurança é a norma e a segurança é o problema. A inversão correta: insegurança é o desvio do estado desejado e segurança é o estado que se cultiva, se desenvolve e se mantém. Saúde e segurança estão associadas a solução e jamais ao problema.
Quando a Kabbalah coloca Shalom, com todos seus significados incluída a Paz, como um dos nomes de Deus está afirmando que a inteireza, a completude, o estado de nada faltando é o estado original ao qual toda a existência tende. O desvio desse estado é o que precisa de trabalho. O estado em si é o ponto de retorno, não o ponto de chegada distante. Shalom é carta de apresentação, cumprimento, reconhecimento e desejo ao mesmo tempo, e acrescentar a palavra “problema” nessa completude, constituiria o verdadeiro problema.
A pergunta prática: você está nomeando o que quer cultivar, ou está nomeando o problema que quer evitar?
Leonardo da Vinci disse: “Saber escutar é possuir, além do seu, o cérebro dos outros”
Séculos antes de Freud sistematizar a psicanálise, Da Vinci já operava com o princípio central do método analítico: o que alguém diz revela mais do que informa. A fala carrega, nas suas entrelinhas, nas suas escolhas de palavra, nas suas metáforas automáticas, o mapa interior de quem fala. A trajetória da palavra revela o destino da alma, antes que o falante perceba para onde está indo.
Freud chamou isso de associação livre: o analista não escuta o conteúdo da fala, escuta a trajetória. Para onde ela está indo sem que o falante perceba. Qual o desejo que se revela antes que a censura consciente possa intervir.
O Bardo Thodol, o Livro Tibetano dos Mortos, é construído sobre a premissa de que a audição é o último sentido a desaparecer depois da morte física. Por isso os ensinamentos são lidos em voz alta ao morto: porque mesmo quando tudo o mais parou, o canal da escuta permanece aberto. A libertação, no sistema tibetano, literalmente vem pelo ouvir. O título completo do texto é “Grande Libertação pela Audição nos Estados Intermediários.”
No judaísmo, a oração central é o Shemá: "Ouve, Israel." Shemá vem da raiz Sh-M-A, escutar. Essa raiz se aproxima de Shem, nome. Há uma sabedoria comprimida nessa proximidade: escutar é perceber o nome verdadeiro das coisas. É captar o que algo é de fato, antes das camadas de interpretação, projeção e hábito.
O nome serve para chamar. Assim como chamamos alguém na rua e essa pessoa se vira para nós, os eventos se viram para nós ou nos ignoram dependendo de como os chamamos. O som é a chave. Abre o canal de comunicação ou o fecha definitivamente. Os xamãs, em culturas que vão da Sibéria à Amazônia, avançaram mais nessa sabedoria do que qualquer laboratório moderno: o chamar, o nomear, o entoar não representa a coisa, ele a convoca.
Praticar a escuta real é o ato mais revolucionário que um ser humano pode exercer, porque exige o que é mais escasso: presença completa, sem agenda, sem interpretação prévia, sem a pressa de responder antes de ter ouvido.
A escola de Pitágoras exigia cinco anos de silêncio dos iniciantes. Era um treinamento, não uma punição, porque o silêncio é a condição para que o som possa ser ouvido de verdade. Esse mesmo princípio é trabalhado nas práticas de escuta ativa dentro do Caminho da nossa Escola de Iniciação.
Esta parte vai incomodar. Mas incomodar com precisão é mais respeitoso do que confortar com imprecisão.
Feminismo e machismo são visões parciais da realidade humana. As duas partem de um recorte: tomam uma parte da humanidade e a colocam no centro. A lógica de ambos é a mesma. A direção é oposta, mas o erro é idêntico.
Quando se diz “defendamos as mulheres”, está-se discriminando. A frase pressupõe que as mulheres são um grupo à parte que precisa de defesa especial, o que cria exatamente a separação que pretende curar. A defesa diferenciada é uma forma de diferenciação.
Quando se diz “defendamos os negros” ou se criam cotas raciais, está-se discriminando. A intenção pode ser justa, mas o mecanismo é o mesmo da discriminação que pretende combater, porque está se separando um grupo e tratando esse grupo como diferente dos demais.
Observe ainda: o crime mais severamente punido em muitos países atualmente é a discriminação através da palavra. A palavra dirigida a uma minoria reconhecida juridicamente como lesão emocional e mental, e isso confirma, pela via jurídica, exatamente o que este artigo afirma: a palavra tem poder real de criar e destruir, caso contrário não seria punida. O que o sistema judicial reconhece como dano, a iniciação reconhece há milênios como força.
Por trás de cada palavra está o que ela carrega em seu DNA e seu referente (a coisa que representa). Assim, por trás da palavra humanismo precisa existir o cultivo do ser humano como tal e sua total integração social, sem recorte de raça, gênero, religião, partido, altura, origem ou crença. Integrar em todos os níveis o que percebemos como minorias significa tornar inteiro. Quando acessamos a realidade inteira, unificada e sem partes divididas, passamos a entender que as diferenças são algo necessário para o crescimento e paramos de tentar eliminar ou equilibrar essas diferenças, precisamente porque as integramos.
Quando se integra, os conceitos extremos perdem o combustível. Não há o que combater quando o campo de batalha é dissolvido pelo reconhecimento de que todos os lados pertencem ao mesmo lado.
A Kabbalah descreve o Adam Kadmon, o Ser Humano Primordial, como andrógino: contendo em si o masculino e o feminino em unidade antes de qualquer divisão. A divisão posterior é uma fase do processo e o destino do processo é a integração, nunca a vitória de uma parte sobre a outra.
Existe uma lacuna que parece linguística mas é mais profunda.
“amar” existe como verbo. É ativo, transitivo, conjugável em todos os tempos. Mas observe como o usamos: “eu te amo” é quase sempre uma declaração de estado, não uma descrição de ação. É uma afirmação de sentimento, raramente o relato de algo que está sendo feito agora, com movimento, com direção, com consequência concreta no mundo. O verbo existe, mas existe em uma dimensão que perdeu sua musculatura.
A prova está no único uso de "amar" que carrega ação física explícita: fazer amor. E esse, curiosamente, é o único ato que a sociedade decide que precisa acontecer escondido. O amor como prática ativa, com movimento real no mundo, foi reduzido a um ato privado e coberto de vergonha e culpa. Depois, o resto virou decorativo.
"amar" e "Amar" não são a mesma coisa. Como a luz que ilumina um cômodo e a Luz que criou o mundo: mesma raiz, outra dimensão. O "amar" minúsculo informa um sentimento. O "Amar" maiúsculo exerce uma força e não espera condições para aparecer. Não escolhe para quem se dirige e tampouco demanda reconhecimento pelo que entrega.
O Sol não declara que aquece. Aquece. Não decide para quem irradiar. Irradia. Não demanda reconhecimento pelo calor que distribui. É consequente com sua natureza, sem exceção e sem condição. Isso é o "Amar" em sua dimensão criadora e muito além de um estado que se sente, se constitui numa força que se exerce, como a Luz que emana antes de qualquer pergunta sobre quem merece recebê-la.
Quando o ser humano chega a um certo grau de trabalho interior, o "Amar" deixa de ser uma decisão e passa a ser uma consequência natural do que ele é. A partir daí se expressa como natureza. Mas enquanto ainda estamos no processo, a palavra funciona como instrução prévia, como Kavana: a ordem que damos a nós mesmos antes do ato. Começar a usar a maiúscula, mesmo que internamente, já é começar a mudar a dimensão desde onde se ama.
Uma campanha construída sobre esse princípio não precisaria de recorte de gênero, raça ou partido. Seu único critério de inclusão seria ser humano. E isso tornaria supérflua toda campanha que depende de separar humanos em grupos para depois defender alguns deles contra outros.
A Kabbalah chama esse Amor de Ahavat Chinam: Amor gratuito, sem motivo, sem merecimento como pré-requisito. O Zohar afirma que o Segundo Templo foi destruído por Sinat Chinam, ódio gratuito. O que reconstrói é o oposto exato: o "Amar" que não precisa de razão para fluir, porque é a natureza do ser humano em seu estado mais íntegro.
O que foi dito até aqui sobre campanhas e linguagem cotidiana se torna ainda mais revelador quando olhamos para as estruturas oficiais: os organismos, as leis e os programas que os governos e instituições criam para resolver os problemas da sociedade. São estruturas financiadas com recursos coletivos, repetidas milhões de vezes em documentos, discursos e manchetes e carregam, no próprio nome, a semente do que perpetuam.
“Comitê de Crise” convoca a crise como estado permanente que precisa de gestão contínua. Um comitê que existe para cultivar estabilidade teria outro nome: Comitê de Continuidade, Comitê de Resiliência Institucional. O nome atual garante que a crise sempre tenha um endereço oficial onde habitar. Um comité de Continuidade não esperaria uma crise para atuar.
“Organismo Anti-Corrupção” orienta toda sua estrutura, seu orçamento e sua identidade institucional para a corrupção. Sua razão de existir depende da corrupção continuar existindo. Extinta a corrupção, extinto o organismo. O incentivo implícito no nome é a perpetuação do problema. Perceba como em nosso organismo não existe tal estrutura, ela funciona só quando o indesejado ingressa (como os anti-corpos), e enquanto isso trabalha para a continuidade da saúde e a integração dos sistemas. “Instituto de Integridade Pública” partiria do estado que se quer construir.
“Lei do Obeso”; O ser humano vira sinônimo do seu problema, porque se nomeia o ser humano pelo seu desvio do estado saudável e legisla a partir desse desvio. Novamente encontramos a diferença entre combater doença ou promover saúde. Se fosse uma “Lei de Promoção da Saúde Alimentar" partiria do estado que se quer cultivar, não da condição que se quer evitar.
“Órgão de Combate à Discriminação Racial” existe para combater. Seu combustível institucional é a discriminação. Sem discriminação, sem razão de existir. Pronto para reagir e entrar em combate e todo combate gera baixas. Já o "Instituto de Integração Humana" existiria para construir algo, independentemente do nível atual de discriminação.
“Código Criminal” e “Lei Criminal” são os mais reveladores de todos. O adjetivo que nomeia o sistema jurídico inteiro, o código que deveria organizar a convivência saudável entre os seres humanos, é “criminal.” A sociedade se apresenta a si mesma pela sua exceção mais grave. “Código de Convivência Civil” ou “Lei de Ordem Social” parecem muito mais justas e representam um estado desejado, não do desvio que se quer punir.
“Campanha contra o tabagismo”, “Guerra contra o câncer”, duas frases da área da saúde pública que orientam bilhões em recursos para o tabagismo e o câncer. O foco “saúde total” fica relegado. A "Promoção da Saúde Integral" custaria o mesmo e apontaria em todas as direções.
“Programa de Combate ao Analfabetismo” existe para combater. “Programa Nacional de Leitura e Cultura” existiria para cultivar, mostrando o que é necessário e possível. Os dois podem incluir as mesmas ações, mas apenas um deles orienta a energia coletiva para o que se deseja alcançar, além da projeção de cada um (Leitura e Cultura pode ir ao infinito, já o combate ao Analfabetismo acaba quando a pessoa aprender a ler e escrever).
“Programas e Anti-Bullying" carrega no nome o próprio fenômeno que pretende erradicar. Toda criança que ouve falar dessa lei aprende primeiro o nome do problema, não o nome do estado desejado. “Ley de Convivência Escolar” carregaria um potencial enormemente maior.
“Força-Tarefa Anti-Terrorismo”, “Operação Anti-Drogas”: estruturas inteiras do aparato de segurança nomeadas pelo que combatem. A identidade institucional é construída sobre o inimigo. Quando o inimigo muda de forma, a estrutura precisa se reinventar porque perdeu o nome.
O contraste fica claro quando observamos as raras iniciativas que partem do estado desejado: "Médicos Sem Fronteiras" não combate a doença, leva presença médica onde ela não existe. "Programa Saúde da Família" parte da família saudável como unidade a ser cultivada. "Casa da Paz" não combate a violência, constrói um ambiente onde a paz tem endereço físico e ferramentas concretas de expansão.
A diferença entre os dois modelos é de direção e de força. E a direção começa na intenção que o nome carrega. Quem quer só captar recursos, se perpetuar no problema, ou tenta dividir a sociedade, seguramente escolherá nomes adequados a suas intensões.
A pergunta que cada instituição, cada lei e cada programa deveria responder antes de ser nomeado é simples: estamos nomeando o que queremos destruir, ou o que queremos construir?
O lucro da mídia vem dos extremos. Conteúdo que divide gera mais engajamento do que conteúdo que integra. Posições opostas geram debate. Debate gera atenção. Atenção gera audiência. Audiência gera publicidade. Publicidade gera lucro.
A campanha “pela paz” não vende. A campanha “contra a guerra” vende muito mais, porque convoca dois campos que vão discutir, compartilhar e se indignar em direções contrárias, gerando múltiplos de atenção que um único campo jamais conseguiria.
Imagine que toda a população de um país se unisse em torno de uma única diretriz: Amor nos ambientes familiares. Uma só direção. Um só critério de inclusão: ser humano e pertencer a uma família, ou desejar pertencer. Não haveria dois campos para debater. Não haveria inimigo a combater. Não haveria escândalo a amplificar. Sem discussões, sem engajamento nas publicações. Menos tempo para ver a opinião dos outros e mais tempo para o trabalho interior.
Isso tornaria supérfluas bilhões de unidades monetárias investidas anualmente em campanhas "contra" violência doméstica, "contra" discriminação, "contra" abuso, "contra" acidentes de trânsito. Cada uma dessas campanhas tem seu campo oposto implícito. E o campo oposto é exatamente o que garante que a campanha continue existindo e sendo financiada.
Não podemos esperar que um legislador ou um veículo de mídia pense neste nível. A estrutura de incentivos deles aponta para outra direção. É você, leitor, quem precisa pensar neste nível agora, sem se deixar capturar por quem, consciente ou inconscientemente, lucra com os extremos e com os enfrentamentos.
Você não precisa mudar a mídia. Não precisa convencer um legislador. Não precisa que a maioria concorde antes de começar.
Você precisa mudar a Kavana: a palavra interna que precede tudo o que você diz e faz.
Reveja sua fala por um dia. Observe quantas vezes você usa "contra", "combate", "luta", "problema de." Substitua: "a favor de", "construção de", "caminho para", "estado que quero cultivar." E depois observe o que muda na sua experiência de realidade.
Reveja como você nomeia seus estados. "Estou com um problema de saúde" vira "estou trabalhando para retornar ao meu estado saudável." A segunda versão orienta a energia para onde você quer chegar, não para o que quer evitar.
Pratique escutar a trajetória, não apenas o conteúdo. Na próxima conversa difícil, antes de responder, pergunte-se: para onde essa fala está indo? O que está sendo revelado além do que está sendo dito? Essa pergunta muda a qualidade da sua presença. E uma presença diferente muda o que a outra pessoa consegue dizer.
Pare de se identificar com recortes. Você é humano. Isso é mais do que suficiente para ser incluído em qualquer causa que valha a pena defender. Causas que dependem de você pertencer a um subgrupo específico estão, por definição, excluindo outros subgrupos e criando enfrentamento. Causas que partem do ser humano como critério único são as únicas que podem ser genuinamente universais.
Ame como o sol aquece. Não o "amar" que aguarda condições ideais para aparecer. O "Amar" que se exerce como força ativa, com direção e consequência concreta. Sem seletividade. Sem demanda de reconhecimento. Sem interrupção por causa do clima.
A Escola G.E.R.A.h de Iniciação e Kabbalah trabalha com um princípio que percorre todas as tradições iniciáticas: apreender é diferente de aprender. Aprender recebe informação. Apreender muda o lugar desde onde se percebe a realidade.
O que foi apresentado aqui é um ângulo diferente sobre o que você já observa todos os dias. A diferença está em perceber que a palavra que você usa para nomear, da mesma forma que a palavra que você escuta, não é neutra. Ela revela o que está guardado nas intenções, seja de uma pessoa, de uma organização ou mesmo de um país. E o que está no íntimo, enquanto permanece oculto, continua se refletindo no exterior sem que você perceba. A escuta é o instrumento que ilumina o oculto. Re-SOL-ver: trazer o Sol de volta ao que estava na sombra.
Se este texto mudou você de alguma forma, o trabalho iniciou. O próximo passo é aprofundar essa percepção com ferramentas desenvolvidas há séculos exatamente para isso.
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| Tradição | Princípio | Aplicação |
|---|---|---|
| Kabbalah | Kavana: a intenção que precede e revela o ato | A palavra interna desvela o que você guarda no seu íntimo |
| Kabbalah | Shemá: escutar é perceber o nome verdadeiro | O que você nomeia determina o que você detecta |
| Hermetismo | Como é dentro é fora | Sua fala revela e configura sua realidade |
| Alquimia | Solve et Coagula | Dissolva o que não serve na sua linguagem, consolide o que é essencial |
| Psicanálise | A fala revela a trajetória do desejo | Escute para onde a palavra está indo, não apenas o que ela declara |
| Budismo Tibetano | Bardo Thodol: libertação pela audição | A escuta é o canal que permanece aberto quando tudo o mais fecha |
| Tradição xamânica | O som convoca, não representa | Nomear com intenção é convocar, não descrever |

"A Alquimia da Responsabilidade: O Poder Oculto do Responso e a Soberania do Ser"
Como transmutar o peso da obrigação no poder de criar sua realidade.
A chave etimológica para interagir com o destino em vez de apenas sofrê-lo.
O princípio para assumir a autoria total do seu roteiro e exercer a soberania do Ser.